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O antissemitismo no Brasil

  • 4 de jun.
  • 3 min de leitura

O virulento ódio antissemita nunca deixou de existir no Brasil, bem como na maioria dos países da Terra. Simplesmente, muda de discurso e toma formas diversas das que existiam. Por exemplo, no governo de Getúlio Vargas, no Estado Novo, estava nítido nos partidos de Direita, simpatizantes do nazismo e do fascismo. Hoje é muito claro nos partidos de Esquerda no Brasil, simpatizantes do nazi-stalinismo, que constituem em sua maioria o governo atual. 


Esse ódio cego existe espalhado na população, em qualquer categoria profissional ou de classe. Muitas vezes, se perguntarmos se a pessoa conhece algum judeu, a mais frequente resposta é o não, e quando se dá alguns exemplos de cidadãos judeus, vem a perplexidade. Claro, que a hipocrisia narcisista pode sempre dizer algo assim: sei que esse é judeu, mas é um judeu diferente. Escutei isso no enterro do meu pai, por parte de um que se considerava seu melhor amigo. Nesse dia enterrei meu pai, e simbolicamente enterrei o amigo dele.


O antissemitismo é um traço arraigadamente presente nos ricos políticos de Direita e Esquerda, que se acham uma elite paladina da Justiça, bem como nos políticos pobres de espírito que se passam por ricos combatentes das injustiças. É penoso reconhecer esse barbarismo, mas é preciso denunciá-lo.


Não podemos jamais desistir e devemos buscar - apesar de tudo que vem acontecendo - um horizonte onde a humanidade possa se reconciliar consigo mesma. Não sabemos se vamos atingir esse horizonte, pois as experiências históricas têm mostrado que quando dele nos aproximamos, ele se afasta novamente. Mas continuar tentando é o único caminho que parece razoável.


Sabemos que injustiças de todos os tipos estão ocorrendo diariamente, mas é muito pior, muito mais escandaloso, muito mais incoerente, quando ocorre por parte de quem deveria defender a justiça, ou de quem se espera ser capaz de prezá-la e respeitá-la. 


Aí, no mínimo, a indignação é ainda maior. É muito penoso constatar que pelo menos um membro judeu da Suprema Corte foi até hoje incapaz de dizer algumas palavras de repúdio à política de injustiça antissemita do governo atual. 


A menos que este seja mais um exemplo do auto ódio de judeus, que defendem mentiras antissemitas cruéis com argumentos intelectualizados, totalmente equivocados, assinando manifestos sem base alguma na história, simplesmente para defender o governo atual. É o vale tudo da hipocrisia narcisista e pusilânime.


Para poder suprimir injustiças e mesquinharias humanas, não somente o antissemitismo, é preciso lutar muito, esclarecer muito, e não podemos esquecer que as fontes deste mal estão arraigadas no inconsciente. São elas a inveja, a voracidade, a combinação de ambas, e seus fenômenos correlatos na mediocridade moral, na sordidez, na avareza, e na total falta de ética. Esse é o verdadeiro câncer que corrói o espírito humano.


Em outras palavras, sabemos que no ser humano está alojado o verme repugnante e inextirpável da mesquinharia narcísica, mas, por outro lado, e felizmente, também estão localizadas as sementes de uma vontade de combatê-lo, junto com recursos que criam uma linguagem capaz de buscar e transmitir melhor a verdade.


Quanto a linguagem, entramos num outro campo onde os mesmos problemas reaparecem. As narrativas, quaisquer que sejam elas, aparecem sempre na tensão inevitável entre a ficção e a história real. Existe sempre alguma ficção na história real e existe sempre alguma realidade na ficção.


O que transforma uma história real numa ficção absurda (que se chama hoje em dia de fakenews) é o mesmo problema que transforma uma pequena parcela da população mundial, como os judeus, em vilões e culpados do que nunca fizeram. Chega-se ao absurdo narrativo de comparar judeus com nazismo. Comparação delirante comandando a palavra, sem fundamento algum, movida pelo ódio, sordidez, mesquinharia, avareza extrema. 


Não é privilégio do pobre de espírito, fracassado em tudo que fez na vida, manipular o discurso para expressar seu ódio por um lado canceroso de sua personalidade, realidade que é projetada naqueles que identifica como diferentes de si próprio. 


Também nos defensores da Justiça, de quem mais se esperava alguma iluminação, existe esse mesmo mal da palavra.


Nessa situação, em que o combatente da fakenews produz uma narrativa maior e delirante, amparado pela manipulação cientificista das leis, podemos denunciar um grito de socorro, pois seu estado mental está assolado pela mais cruel das psicoses.


 
 
 

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ARNALDO CHUSTER
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